Filme superou as expectativas de Stephen King mesmo sem ser fiel ao original

Pode-se dizer que 2017 é o ano de Stephen King, já que mais uma de suas obras ganha espaço nos cinemas. Desta vez, quem vem aterrorizando as telonas é o remake de um de seus livros mais memoráveis, It: A Coisa, que  fez com que muitas pessoas tivessem medo de palhaços na década de 90. Por acaso, ou não, de acordo com o material original, o palhaço volta para fazer suas maldades a cada 27 anos. Coincidindo com a trama, o remake vem 27 anos depois do primeiro filme.

Na história, o sumiço de Georgie, irmão do protagonista Bill, desencadeia uma série de desaparecimentos na estranha e pequena cidade de Derry, no estado de Maine. Bill e seu grupo de colegas são obrigados a enfrentar seus maiores medos ao desafiar um palhaço maligno chamado Pennywise, que há séculos deixa um rastro de morte e violência no lugar em que aparece.

A nova versão de IT toma muito tempo apresentando a vida dos principais componentes do grupo, aprofundando a relação entre eles e explorando os seus respectivos dilemas para construir a empatia do público com os personagens, mas dificultando um pouco que o enredo flua de maneira mais leve. A turma é apresentada ao melhor estilo “aventuras infanto-juvenis dos anos 80” (lembrando clássicos como Os Goonies e Conta Comigo), algo que certamente irá cativar os mais apegados à nostalgia. Há também uma evidente influência da fórmula do fenômeno de Stranger Things. O uso de bicicletas pelas crianças, os figurinos que remetem aos anos 80/90 e a presença do ator Finn Wolfhard contriubuem para lembrar da série do Netflix.

Outro destaque vai para o sueco Bill Skarsgård, que vem em uma atuação intensa como o protagonista/vilão Pennywise, personificando muito bem o palhaço assassino. Sua caracterização ficou espetacular, o vestuário “mais século XIX” caiu muito melhor do que o do longa de Tim Curry da década de 80.

O filme do diretor Andy Muschetti mistura horror e comédia, brincando com os nervos do público. Contudo, a obra está longe de ser assustadora e de se tornar um marco como foi o primeiro filme. Além do mais, a projeção é muitas vezes repetitiva e enfadonha com  a construção do medo em cada um dos sete integrantes do grupo. O único mistério da obra é a origem de Pennywise, que pelo visto, teremos que torcer para ser revelada com a nova sequência da franquia que deve se passar nos tempos atuais com as crianças já adultas, dando continuidade à segunda parte do livro.