Com um enredo bem construído e envolvente, “A Ciambra” concorrerá ao Oscar em 2018

 

Em A Ciambra nos é apresentado a história do menino Pio (Pio Amato), de 14 anos, que possui práticas um tanto incomuns para um garoto de sua idade. O adolescente, que não sabe ler, fuma e bebe, se torna o provedor da família como se fosse um verdadeiro adulto. Segundo a sinopse do filme, o garoto sente vontade de crescer mais rápido e fica subentendido que ele não se aceita como criança, mas na verdade o que vemos no filme é um menino que não se reconhece. Pio age como adulto porque é assim que ele se vê, portanto, em um dado momento, ele mesmo se intitula homem para o irmão.

 

A “maturidade” do personagem acontece em um ritmo meio acelerado devido ao contexto social ao qual ele pertence. Sua origem em uma família pobre, que vive em uma casa superlotada e completamente desestruturada contribui para isso. O pai e o irmão roubam e, dessa forma, sustentam a casa. Assim, Pio desde cedo aprendeu como se rouba um carro, o que fará com que, posteriormente, ele se torne o “homem da casa” quando o pai e o irmão forem presos.

 

O elenco teve um desempenho sensacional capaz de despertar fortes emoções no espectador. As cenas são fortes, tristes, duras e que cortam o coração, pois é bastante desconfortável ver crianças em situações pesadas, usando cigarro e consumindo bebida alcoólica como se fosse algo natural, sem sofrerem qualquer tipo de repreensão. O cenário em que se conduziu a trama é bastante real, uma comunidade carente das condições mais básicas de vida. Além disso, o filme levanta a questão do sistema penitenciário brasileiro quando o irmão de Pio o compara com o sistema italiano. Ele diz que na Itália os presos são respeitados, mas que no Brasil, segundo um amigo, os homens são tratados de forma desumana.

 

O longa traz um pouco de naturalismo conduzido pelo determinismo. É explicado o fato de Pio ser do jeito que é, no entanto, fica claro que não haverá nenhuma perspectiva de mudança. A personalidade do menino foi construída de acordo com o ambiente em que ele nasceu, o que a torna imutável, uma vez que ele é produto do meio. O filme termina sem aquele desfecho tradicional. Fica em aberto para a interpretação pessoal de cada um, recurso capaz de gerar horas de muita reflexão. Carregado por uma história forte e envolvente, “A Ciambra” faz jus à sua indicação ao Oscar 2018 pela Itália.