Com a mesma direção do filme que protagonizou a história original, Blade Runner volta 35 anos depois de seu lançamento para continuar a saga lançada em 1982. Com a presença de grande elenco, como Harrison Ford e Ryan Gosling, o longa conta a história após os problemas enfrentados com os Nexus 8 no primeiro filme. 

Neste novo capítulo, uma outra espécie de replicantes é desenvolvida, de forma que seja mais obediente aos humanos. Um deles é K (Ryan Gosling), um blade runner que caça replicantes foragidos para a polícia de Los Angeles. Após encontrar Sapper Morton (Dave Bautista), K descobre um fascinante segredo: a replicante Rachel (Sean Young) teve um filho, mantido em sigilo até então. A possibilidade de que replicantes se reproduzam pode desencadear uma guerra deles com os humanos, o que faz com que a tenente Joshi (Robin Wright), chefe de K, o envie para encontrar e eliminar a criança.

Apesar da boa intenção com as referências adotadas ao primeiro filme, como a trilha sonora, com a música ‘Vangalis’, buscando lembrar a original e fazer com que os telespectadores entrem no clima do primeiro longa, quem não assistiu o primeiro Blade Runner é deixado de lado pelos diretores, que não se preocuparam em tentar situá-los na história, fazendo com que se sintam perdidos por um longo tempo. É compreensível que por se tratar de uma sequência não é necessário explicar todo o contexto envolvido com a trama passada, mas pelo menos uma síntese seria adequada para quem nunca viu o primeiro ou para aqueles mais esquecidos, que não se lembram de todos os fatos decorridos anteriormente, há mais 30 anos, no primeiro filme.

Blade Runner, que em 1982, foi o pioneiro nos roteiros de ficção cientifica, aparece desta vez com o ritmo lento. Se a sua intenção é ver um filme com grandes cenas de ação, pode esquecer! A nova versão vem com cenas que dão ar à reflexão e à contemplação, com perguntas e respostas não respondidas, além de abordar questões bastante atuais com as personagens feministas.

É preciso dar crédito às grandes atuações do elenco. Harrison Ford, que interpreta o personagem vivido por Ryan Goslling no primeiro filme, aparece como sempre enigmático em suas cenas. Jared Leto que vive o vilão, criador dos seres sintéticos, aparece somente em duas cenas do filme e não ganha muito destaque. O que é uma pena, pois o ator vem ganhando um destaque positivo nas obras cinematográficas que participa, como no filme Clube de Compras em Dallas, que lhe rendeu um Oscar. A impressão que fica é que ele tinha um potencial maior para ser explorado. O grande destaque da trama vai para... as mulheres! A atriz Ana de Armas que vive Joi e Mackenzie Davis que seguram os grandes feitos de ficção cientifica apresentados no filme.

A fotografia que no filme original foi dirigida por Jordan Cronenwech, falecido em 1996, agora é composta pela arte de Roger Deakins, considerado um dos melhores da área no cinema atual. E realmente ele faz jus à sua fama. São geniais os artifícios apresentados por ele em sequências de dar arrepios e deixar os espectadores fascinados com as belas imagens.

Por fim, Blade Runner se destaca nessa versão repaginada por questões que ressaltam mais a beleza das cenas e dos momentos de reflexão do que pela relevância dos fatos, que ficam um pouco confusos, principalmente para aqueles que não assistiram ao primeiro longa.