O elenco não foi capaz de despertar emoção

Tudo e Todas as Coisas, inspirado na grande obra de Nicola Yoon, relata a história dramática da adolescente Maddy (Amandla Stemberg), que viveu 18 anos sem poder sair de casa por causa de uma doença grave. Logo após a perda do pai e do irmão em um acidente de carro, Maddy foi diagnosticada, aos seis meses de vida, com imunodeficiência combinada grave. O laudo foi dado pela própria mãe (Anika Noni Rose), que era médica.

Maddy viveu a vida inteira ‘dentro de uma bolha’ sem ter contato com o mundo por acreditar que qualquer interação externa poderia ser fatal. Como toda garota, ela tinha sonhos, mas sabia que eles nunca poderiam se concretizar, pois sair para conhecer o universo lá fora seria completamente inviável. Menina obediente, conformada e, aparentemente, feliz, apesar de nunca ter podido sair de casa. Tinha uma visão muito romântica construída a respeito da mãe, pois, afinal, ela teve que abdicar de muitas coisas para cuidar de sua filha. No entanto, tudo muda com a chegada de Olly (Nick Robinson), por quem Maddy se apaixona e será capaz de fazer coisas que sempre se conformou em não poder e, inclusive, arriscará a própria vida em nome do amor.

O par romântico formado por Maddy e Olly tinha tudo para arrancar palpitações e suspiros de felicidades de qualquer adolescente. Porém, frustrou todas as expectativas e desperdiçou todo o seu potencial com um romance morno e carregado de clichês. Os diálogos entre eles eram chatos e nada emocionantes. A atuação do elenco também não foi uma das melhores. Se apresentaram de forma robótica, sem vida e incapaz de provocar empatia no público.

As cenas também foram muito paradas e, em algumas situações, não tinha trilha sonora de fundo. Isso fez com que fosse construída a sensação de que o filme era muito longo e não acabaria nunca. Existem também alguns momentos em que o filme é confuso, como por exemplo logo no início da trama, onde é mostrado Maddy e Olly conversando como se estivessem juntos, lado a lado, mas na verdade aquelas cenas nada mais eram que a representação do diálogo entre os dois através de um chat online. A escolha em fazer esse tipo de aproximação foi de péssimo gosto, pois, se o telespectador piscou os olhos por alguns segundos, certamente, demorou para entender que aquele diálogo acontecia de forma virtual.

Tudo teria sido mais interessante se a produção tivesse dado mais importância à história da adolescente, ao emaranhado de questões que a fez viver presa por anos ali. A atuação da mãe, que seria fundamental aparecer mais vezes, foi preterida. Em vez de trabalhar melhor em cima de uma história interessante e bem construída, o centro da trama foi dado a um romance frio e sem graça.  Tudo e Todas as Coisas é apenas mais um daqueles filmes que não merece ser visto mais de uma vez.