O filme traz boas cenas de ação, porém não traz nada de novo para o gênero

Kingsman: O Círculo Dourado, continuação de Kingsman: Serviço Secreto, que tem como ponto alto boas e bem dirigidas cenas de ação e as cômicas referências de filmes de espionagem, como: 007, Agente 86 e Jason Bourne, segue a mesma essência do primeiro e repete a fórmula de sucesso do seu antecessor. Neste segundo longa, a nova vilã, Poppy (Julianne Moore), quer destruir a base dos espiões do serviço ultrassecreto da Inglaterra para continuar com seus negócios de drogas livremente. Precisando de ajuda, Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) vão para os Estados Unidos procurar pela sua versão americana chamada de “Statesman”.

Nos primeiros minutos já somos imersos com uma sequência de ação muito bem coreografada e com uma trilha sonora eletrizante para os espectadores entrarem no ritmo alucinante do filme. Durante o decorrer da trama, vemos a personalidade cinematográfica de Vaughn com a violência explícita e exagerada. Tirando sarro dos filmes de espionagem, em um tom satírico, é possível perceber que o filme não se leva totalmente a sério. Os agentes trazem dezenas de bugigangas irreais que são desde anéis que dão choques a cães de guarda robôs e braço mecânico. O filme é visualmente bonito e deixa quem assiste hipnotizado. Apesar da atmosfera leve e divertida construída, mais até do que no primeiro filme, ele consegue equilibrar algumas cenas de tensão e tristeza que podem balançar o público. 

A trama gira em torno de Eggsy que consegue se impor como personagem principal em um elenco recheado de estrelas. Merlin é mais bem desenvolvido em relação ao primeiro filme fazendo com que ganhe mais destaque e tempo de tela. Harry Hart (Colin Firth), para surpresa de todos, está de volta, mas com uma sintonia diferente, não sendo um mentor como no primeiro filme. Whiskey (Pedro Pascal) rouba a cena com um humor mais pastelão e mesmo assim encaixa bem no filme, embora a sua motivação tenha sido mal construída. Poppy é uma personagem carismática, megalomaníaca e insana. Ela é uma vilã rasa que acaba caindo no clichê do vilão mau por ser mau propositalmente como uma chacota dos antigos vilões de 007. Ginger (Halle Berry) faz a mesma função do Merlin do lado americano, porém mal construída e sem desenvolvimento. É uma personagem dispensável para trama, não fazendo jus ao nome e a qualidade da atriz. Até personagens secundários como o presidente dos Estados Unidos e Elton John conseguem arrancar muitas risadas com seus poucos momentos de tela.

O diretor Mattew Vaughn, que também dirigiu o primeiro Kingsman e o bom X-Men: Primeira Classe, neste trabalho mostra as suas características de boas cenas de ação em plano sequência e um humor que pode, para algumas pessoas, chegar a ser politicamente incorreto. Mesmo sendo um desafio para ele segurar um elenco forte e conseguir trazer algo novo em uma continuação de filme, ele falha. Vaughn tenta criar algo diferente, mas é impossível não comparar com o primeiro Kingsman. Ele acaba repetindo a mesma coisa do seu antecessor, com a paródia, o humor e a violência e isso faz com que ele se torne previsível. Além disso, o filme se apoia muito no sucesso do antigo, com muitas referências, o que pode deixar os espectadores novos perdidos e os antigos cansados, com a sensação de estarem vendo a mesma coisa novamente.

Em suma, Kingsman: O Círculo Dourado é um filme divertido para quem gosta de comédia e ação e do universo do filme, com boas atuações e sequências hipnotizantes. Mas não traz nenhuma grande novidade em relação ao primeiro longa, o que pode ser decepcionante para alguns.