Produzido pela plataforma da Netflix, Death Note, do diretor Adam Wingard e roteiro de Charley Parlapanides, Jeremy Slater e Vlas Parlapanides, conta a história de Light (Nat Wolff), um menino do ensino médio que através de um caderno convoca Ryuk (Willem Dafoe), Deus da morte, que o estimula a escolher pessoas para ter um fim trágico apenas escrevendo o nome delas no livro.

A partir daí, Light, que se auto denomina de Kira, decide “brincar” de justiceiro e usa o caderno como forma de punição às pessoas que cometeram crimes. O filme, é baseado no anime japonês da dupla Tsugumi Oba e Takeshi Obatai publicado mensalmente entre 2003 e 2006 em um mangá com cerca de 12 volumes. Logo depois virou uma série com 37 episódios com cada um 22 minutos – também disponível no Netflix.

Logo de cara é preciso dizer que, mesmo sendo esperado, já sabíamos que a produção americana em live-action não levaria os dilemas do desenho original tão a fundo. Quem assiste ao filme sem ter o conhecimento de que se trata de uma adaptação, fica perdido em vários momentos, já que algumas coisas parecem surgir como mágica na história e demoram muito para serem explicadas. Como por exemplo no caso do personagem L, que aparece de máscara em várias cenas do filme querendo a “cabeça” de Kira, sem explicar que ele é um investigador com altas habilidades, treinado para desenrolar casos especiais.  

Outra questão bem solta no roteiro é que L desconfia estranhamente de Ligth sem nenhum tipo de embasamento ou pistas que o levassem a tal perspectiva. Por isso, no primeiro momento, parece totalmente sem lógica, pois a justificativa do investigador é que Ligth é filho de um policial.

Durante boa parte do filme quem não está situado na história original tem a sensação de que os fatos do filme correm bastante.  Mesmo assim, a adaptação consegue ter uns “picos” de empolgação com o surto de L por não conseguir provas contra Ligth e iniciar uma caçada contra ele; e quando Mía rouba uma das páginas do livro assumindo o controle das mortes.

O romance entre Ligth e Mia tem pouca química e parece surgir do nada. A parceria, durante grande parte das cenas do casal, sugere mais como um ar de interesse em praticar assassinatos do um amor entre os dois.

O final do filme é aberto, o que possibilita várias interpretações e deixa uma abertura para uma eventual continuação. Diante de tal premissa, espera-se que, se houver um segundo filme, os roteiristas foquem em destacar melhor os personagens mais interessantes e tentem se aproximar mais do anime.