Alessandra Araujo, de apenas 19 anos, recebeu, na noite do dia 22 de outubro durante o evento Destaques do Ano, o Troféu Carlos Drummond de Andrade, em Itabira (MG). A estudante do segundo período de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi homenageada pelo seu livro, lançado em maio deste ano pela editora Multifoco, intitulado “V.O.A.R – Vivências de Outra Adolescente Revoltada”.

O livro conta a história da personagem Bianca, uma adolescente brasileira durante seu último ano no ensino médio nos Estados Unidos, local para onde se mudou com os pais quando criança. A jovem, por escolha própria, prefere se excluir e não se envolver com ninguém da sua escola. A situação muda quando ela passa a seguir os conselhos de adultos e tenta interagir com os colegas de turma, faz amigos e até inicia um romance, afinal de contas, seria seu último ano na escola. Entretanto, a partir de certo momento, ela começa a ter problemas na vida familiar e na vida acadêmica que acabam fazendo com que ela se feche novamente em seu mundo.

V.O.A.R não é apenas um romance fictício inventado pela autora, há uma crítica social existente no livro que começa pelo título. “É a vida de ‘outra’ adolescente revoltada que se passa em uma escola dos Estados Unidos. Ou seja, é só mais uma história clichê. Mas, na verdade, não é. Eu tento exatamente pegar esses clichês, me apropriar deles, e mostrar que tem muito mais por trás das pessoas. Não é só aquilo que a gente vê na superfície. A líder de torcida loira não é só a líder de torcida loira. O garoto misterioso não é só o garoto misterioso. A gótica não é só a gótica. Eles têm histórias, sentimentos, sonhos. Eles agem de tal forma porque algo aconteceu ou acontece na vida deles”, afirma Alessandra. De acordo com ela, seu livro fala de questões que os adolescentes, principalmente os de hoje, enfrentam, como, por exemplo, depressão, problemas com os pais, questionamentos com relação à sexualidade, pressão na escolha de uma carreira. “E, sim, algumas das histórias sobre as quais eu escrevo eu vivi ou senti. O livro serviu, muitas vezes, como uma forma de desabafo pra mim”, conta a autora.

 O Troféu Carlos Drummond de Andrade foi criado em homenagem ao poeta, contista e cronista, um dos mais importantes escritores da literatura brasileira. O prêmio existe há 51 anos na cidade natal do poeta, Itabira (MG). Os ganhadores do troféu são escolhidos através de indicação, convites especiais ou pesquisas.

“Quando eu soube do prêmio, primeiro eu fiquei descrente. Porque eu achei que tivesse sido só indicada, então nem achei que ia ganhar nada. Mas depois eu soube que realmente ia ganhar o prêmio e fiquei extremamente feliz porque eu estava sendo reconhecida pelo meu trabalho. E o reconhecimento é algo importante pra mim, eu sempre digo, porque, quanto mais reconhecimento, mais pessoas eu posso atingir, comover, influenciar e ajudar com o meu trabalho. Esse é meu principal objetivo. Eu quero ser escritora por isso”, confessa Alessandra.