Inaugurado há um ano em Vila Isabel, o centro cultural ‘És uma maluca’ cria um espaço de exposição, criação e experimentações artísticas que foge da histórica concentração cultural entre Centro e Zona Sul do Rio de Janeiro. Com foco em cultura colaborativa, o galpão conta com treze artistas residentes e diversos colaboradores. Com objetivo de abarcar novos talentos, democratizar a arte, estimular e ampliar o conhecimento e o acesso do público à arte, o espaço propõe interações da população com integrantes do meio artístico e ocupações.

O empreendimento foi bem recebido pelo público, tendo atraído apenas em seu primeiro ano de existência mais de 3 mil visitantes. Segundo o frequentador Thomas Pereira, “É uma iniciativa maravilhosa. É diferente daquela cultura elitizada e posta em um pedestal, como é disseminada pelos principais espaços destinados a expressões artísticas. Lugares esses que se encontram distantes da maior parte da população, sempre entre Centro e Zona Sul. Só nessa disposição geográfica dos espaços já dá pra notar a enorme segregação que ainda existe hoje quando o assunto é arte” .

Abrigando diferentes exposições, o centro cultural conta com três diferentes projetos em curso. O ‘Exclamação (!)’ visa à inserção de artistas emergentes e novos colecionadores no mercado, através de mostras que duram cerca de dois meses. A última, ‘Lembrança de Mil Anos’, de Marcela Cantuária, fazia do onírico, o inconsciente de Freud, sua poética. O ‘Ocupa Maluca’ convida artistas a preencherem o espaço não apenas com a apresentação de seus trabalhos, mas também com discussões e falas dos próprios. Existe ainda o projeto ‘De Cara P/ Vila’, onde a fachada do ‘És uma Maluca’ recebe intervenções a cada quatro meses.

No dia 22 de outubro o centro cultural inaugurou mais uma proposta, o ‘És Um CINECLUBE’, com a curadoria de Sergio Duran. Com exibições quinzenais realizadas sempre às quintas-feiras, o programa tem ênfase no novo cinema nacional, e em mostras temáticas com a participação de diretores. A primeira edição contou com a presença da diretora Clarissa Appelt, e a exibição de seu filme ‘A Casa de Cecília’, numa conversa proposta com os espectadores além de música pós-filme, e cerveja durante a noite inteira. O curta ‘O terno do Zé’, de Fabiano Soares, abriu o evento.

Engajado em propor o diálogo sobre arte contemporânea e suas dinâmicas, além de exposições e cineclube, cujo foco é o objeto artístico, o ‘És uma maluca’ investe em cursos, workshops, palestras, e outras iniciativas que mais do que tudo, fazem com que o público não apenas admire, mas viva a arte. A visitante Talita Ramalho falou dessa importância: “A arte, os códigos visuais que criamos, isso que dá sentido à vida. Além da religião, é a forma que o homem criou para esquecer da brutal falta de sentido que é viver uma vida condenada à morte”.