O Aquário Marinho do Rio de Janeiro lança, em junho, o maior projeto de energia solar da cidade. São mais de 2 mil painéis fotovoltaicos instalados no telhado da construção, ocupando uma área de 6.000 metros quadrados — o equivalente a um campo de futebol —, que vão gerar cerca de 77 mil kWh de energia limpa por mês. A eletricidade produzida, correspondente ao consumo mensal de 500 residências brasileiras, representa de 20 a 30% de toda energia consumida mensalmente pelo AquaRio. O novo sistema de energia renovável também evitará a emissão de 320 toneladas de gás carbônico para o ambiente a cada ano.

O projeto, que se iniciou em 2015, tem parceria com a empresa Faro Energy por meio de um contrato de locação a longo prazo. A Faro Energy será responsável pela operação e manutenção da planta solar ao longo de sua vida útil, que é de 25 anos. Além de ser o maior projeto de energia solar do estado do Rio de Janeiro, a iniciativa é mais um exemplo do rápido crescimento nos últimos anos do setor de energia sustentável.

Energia limpa

Segundo Marcelo Szpilman, diretor-presidente do AquaRio, a vantagem da energia gerada pelos painéis solares vai muito além da redução de custos. ”A energia solar fotovoltaica já é mais competitiva do que a energia elétrica proveniente da rede convencional. Nosso sistema solar irá não só reduzir os custos, como contribuir para a preservação do planeta. Estamos sempre focados nas melhores soluções de sustentabilidade e proteção ao meio ambiente”

Com 26 mil metros quadrados de área construída e cinco andares, o AquaRio apresenta ao visitante um circuito com 28 tanques, onde pode conhecer um pouco mais sobre os peixes da costa brasileira, do Caribe e do Indo-Pacífico. Ao todo, são 4,5 milhões de litros de água salgada e cerca de três mil animais de 300 espécies diferentes. Logo no início do passeio, o visitante tem contato com recintos variados da vida marinha, como praia arenosa, seres marinhos perigosos, costão rochoso, cardumes e tubarões bebês.

Informar e conscientizar o público

Segundo Henrique Cleto Carneiro, engenheiro do AquaRio, o principal objetivo do projeto é suprir parte da energia consumida pelo aquário produzida por fontes limpas, acessível, de baixos impacto e custo. Um exemplo de sustentabilidade em um cenário em que não há essa consciência ambiental nas construções e projetos da cidade. “Nosso compromisso com educação, pesquisa, conservação, lazer, entretenimento e cultura nos posiciona como exemplo em alguns quesitos. Acreditamos que, por ser um equipamento turístico, temos a oportunidade de democratizar e discutir conteúdos que normalmente não tem capilaridade para alcançar um público tão diverso”.

Henrique acredita que o sistema fotovoltaico será um marco para o desenvolvimento sustentável da cidade. Para ele, a energia distribuída por fontes solares mostra que uma iniciativa deste tipo é possível, economicamente viável e correta, e se torna uma oportunidade para conscientização e informação da população, pois muitas pessoas não conhece esse tipo de sistema. “A geração fotovoltaica de energia elétrica é um tema que boa parte da população ou não conhece ou não entende. Trazer essa informação para o público desmistifica essa tecnologia, motiva o debate e promove seu uso”.

A construção, que durou cerca de 3 meses, de março a maio de 2017, e proporcionou um aumento de cerca de 25% de empregos na instituição, tem o objetivo de criar uma interação do público com todo o processo de renovação de energia. No entanto, essa interação ainda está sendo programada pelos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto.  “Ainda estamos em fase de estruturação, então não tenho outras informações sobre o projeto. O AquaRio busca melhorias constantes, temos vários projetos em andamento. Particularmente estamos revisando nosso consumo de água, calor e gerenciamento de nossos resíduos”.