Criado em 1978, ele estende-se por uma área de aproximadamente 55 hectares sobre a encosta nordeste da Serra dos Três Rios, que separa o distrito da Grande Tijuca da Baixada de Jacarepaguá, até os limites do Parque Nacional da Tijuca. Movimentado durante os fins de semana e pouco visitado nos dias úteis, oferece espaços destinados à recreação, esporte e ginástica, além de possuir trilhas que dão acesso à Pedra do Andaraí (também conhecida como Pico do Perdido ou Pico do Papagaio). A Pedra se eleva 444 metros acima do nível do mar e é um dos marcos notáveis do parque, sendo muito procurada por praticantes do montanhismo e considerada um dos principais símbolos do bairro.

Segundo Marcio Rocha Carazza, 63, servidor público e responsável pela gestão do parque – que está sob a seção do município desde o ano de 2007 - o estado de conservação e administração é considerado bom, apesar das dificuldades. No momento, existem dois projetos no papel: o de revitalização da trilha e o de garantia de acessibilidade no conjunto do auditório e administração.

A fauna, apesar de reduzida devido ao reflorestamento falho, abriga importantes espécies, como cachorro-do-mato, preá-do-mato e mico-estrela. As aves mais encontradas na região são saíra-azul, saíra-amarela, juriti, beija-flor, urubu-caçador, gavião-carijó e tiribas, ameaçadas de extinção, dentre outras. A reserva é constituída de vegetação secundária, por ser fruto de reflorestamento, e abriga espécies como embaúba, carrapateira, figueira, ipê-amarelo e cedro-branco. De acordo com Marcio, o parque começa a atingir um bom estado de ecossistema. No entanto, ele ressalta: “A natureza tem o seu processo, tem o seu tempo, então nós não podemos botar num sistema econômico o que é a natureza. A natureza não visa lucros, ela não é imediatista, e por isso leva o tempo dela, o tempo que ela necessita para se estabilizar”.

Responsável por muitas vidas                                                                                               

Questionado sobre o desafio de administrar e proteger um local tão vivo e dinâmico, Marcio destaca a responsabilidade que a eles é atribuída: “Considerando o conjunto natural do Parque, tanto fauna quanto flora, percebe-se que somos responsáveis por muitas e muitas vidas. Nesse sentido estamos sempre procurando reintroduzir e proteger as espécies nativas da flora local". Segundo Marcio, trabalhar a flora favorece a fauna, pois acaba atraindo animais de regiões vizinhas, como o Parque Nacional da Tijuca. Nesse sentido, o ambiente do parque também se torna mais agradável e bonito, o que termina por estimular o crescimento econômico da região, incentivando o turismo e atraindo as famílias a visitar o local e fazer seus piqueniques e encontros. Além disso, Marcio enfatiza a importância do local, tanto num plano global quanto regional: “O Parque Estadual do Grajaú, como unidade de conservação ambiental, compõe um mosaico importantíssimo à existência dos seres no planeta. Numa escala menor, abrangendo o bairro e seus arredores, a vegetação do Parque promove a melhoria do ar, a potencialização do sequestro de carbono e o aumento da oxigenação, a estabilidade climática". A conclusão disso tudo é que o ecossistema resultante dessas melhorias proporciona aos moradores do local um melhor padrão de saúde, tanto física quanto mental.

Serviços ecossistêmicos

O Dr. André T. C. Dias, professor adjunto do Laboratório de Ecologia Vegetal do Departamento de Ecologia (IBRAG) da UERJ, ressalta o valioso papel que o local exerce como zona de amortecimento para o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, absorvendo os impactos provenientes do entorno e aumentando a proteção da floresta. O professor endossa também que, apesar de ser relativamente pequeno, o Parque do Grajaú tem um valor de conservação em si, sendo habitat para várias espécies: “Durante um ano morei em um apartamento de fundos com vista para a mata do Parque do Grajaú. Em minha lista de aves avistadas apenas pela janela cheguei a registrar 56 espécies. Toda essa diversidade tem um valor intrínseco muito grande e se espalha para o bairro do Grajaú, que é um dos mais arborizados da cidade”.

De acordo com o especialista, o parque e toda a arborização do bairro prestam serviços importantes para as pessoas, os chamados serviços ecossistêmicos: “As árvores possuem um importante papel na regulação térmica: amenizam a temperatura em dias quentes, purificam o ar, removem material particulado que é um importante causador de doenças respiratórias graves e interceptam a água da chuva, controlando o processo de erosão e reduzindo a quantidade de água que entra no solo causando enchentes durante eventos de chuva forte”. Apesar de todas essas vantagens serem difíceis de ser valoradas ou quantificadas, ele enfatiza a importância delas para manter e melhorar a qualidade de vida na cidade: “Um indicador simples mostrando como tais serviços afetam diretamente a nossa qualidade de vida é a relação positiva entre arborização e preço de imóveis na cidade, isto é, bairros mais arborizados são mais valorizados.”

Opção de lazer e tranquilidade

O professor lembra que, além de toda a relevância ambiental, o parque também é uma área muito importante para o lazer da população local e dos visitantes. “O Parque do Grajaú é um espaço de recreação muito importante do bairro, inclusive atraindo pessoas de outras partes da cidade. Hoje o Parque é um dos principais locais para a prática de escalada no Rio de Janeiro, principalmente da modalidade de boulders”. De acordo com isso, os moradores do bairro reconhecem e aproveitam os bens oferecidos pelo Parque. Enrico Puga, 20, estudante de Comunicação Social da Universidade Veiga de Almeida (UVA) e morador do Grajaú desde que nasceu, revela que costuma ir ao parque para relaxar e espraiar os pensamentos: “Costumo ir nos finais de semana ou então num intervalo da semana para recuperar as energias que a vida me tira e encontrar um momento de paz no meio da correria da cidade”. O estudante reconhece, também, o papel do parque como um meio de conscientização: “O Parque é interessante para nos relembrar sobre a importância da natureza em nossas vidas e promover o contato entre nós, seres humanos, a fauna e a flora”.  Marianne Fernandes, 41, trabalhadora autônoma e moradora do bairro, conta como o local é parte marcante de sua vida: “Eu moro aqui desde que nasci, então, gosto muito do Parque, costumo ir pelo menos umas vez por mês, pra passear, porque é um lugar em que posso estar em contato com a natureza e ter momentos de lazer com a família”. Ela enfatiza,  também,  a importância do Parque como um meio de preservação em si: “Além de ser uma oportunidade de interação com o meio ambiente, acho importante ter um espaço arborizado no meio da selva urbana para a própria preservação da natureza”.

            O Parque Estadual do Grajaú fica localizado na Rua Comendador Martinelli, Nº 742, Grajaú, e fica aberto de terça a domingo, das 8h às 17h. A entrada é franca.