O verão está chegando e com ele a preocupação dos moradores da Tijuca e arredores também aumenta devido à possibilidade de enchentes e transbordamento dos rios da região. Porém, o sistema de drenagem criado pela prefeitura pretende minimizar esse problema crônico. O Programa de Controle de Enchentes da Grande Tijuca consiste num sistema de cinco piscinões já construídos: três reservatórios na Praça Niterói, um na Praça da Bandeira e um na praça Vanhargen. Integra também o sistema o Rio Joana, que com as obras de desvio, passará agora por baixo do Morro da Mangueira, Quinta da Boa Vista e desaguará na Baía da Guanabara. Além disso, há a previsão de construção de um sexto reservatório, na Rua Heitor Beltrão.

A construção dos reservatórios de águas pluviais foi a solução técnica encontrada pela prefeitura para amenizar os transtornos causados pelas históricas inundações da região.  Os "piscinões" têm como objetivo receber a água das chuvas, retendo os grandes volumes em momentos de pico, que normalmente ocorrem no verão, o período mais chuvoso. A água acumulada é liberada de forma controlada, evitando enchentes e alagamentos. Juntos, os piscinões já construídos têm a capacidade de armazenar 119 milhões de litros de água.

O último dos reservatórios concluídos, o piscinão da Praça Varnhagen, na Tijuca, pode receber um volume de 43 milhões de litros de água. A obra foi entregue com 25 meses de atraso, sendo concluída em junho deste ano. Junto com o piscinão, foi inaugurada a nova Praça Vanhargen, que foi totalmente reurbanizada, ganhando uma nova área de lazer que conta com atrativos como aparelhos de musculação e parquinho para as crianças. Rogério Brito, gerente do bar Garota da Tijuca, se mostrou otimista com o desempenho do piscinão: “Antigamente isso aqui enchia tudo e essa obra melhorou bastante. Até agora a vazão do piscinão construído foi ótima, então eu espero que continue assim, mesmo com a chegada das chuvas de verão.” Vale ressaltar que o local é um dos principais pontos de encontro e polo gastronômico da Tijuca.

Luciene Pimentel, professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia da UERJ, destaca que o sistema de manejo de águas pluviais planejado ainda não está totalmente completo, mas que ainda assim as obras já realizadas devem amenizar de forma eficiente os problemas causados pelas enchentes na região da Grande Tijuca. “Esse projeto feito pela prefeitura foi planejado por profissionais de engenharia, foi feita uma concorrência pra contratar uma empresa para fazer o projeto, depois foi feita uma licitação pra concorrência pras obras, então, do ponto de vista da engenharia, eu tenho a impressão de que o projeto vai ser efetivo, deve funcionar”, diz ela. Por outro lado, ela destaca que o reservatório que ficaria na rua Heitor Brandão ainda não foi construído. “O sistema completo incluiria esse reservatório, além de outras intervenções, como edificações de canais, adequações de drenagens. Mas eu tenho certeza que com o que já foi feito o problema das enchentes deve ser amenizado caso a gente tenha chuvas intensas”.

Luciene ressaltou, também, a importância da fase de manutenção para que o desempenho dos reservatórios seja realmente efetivo. “As águas pluviais trazem muitos detritos e os reservatórios também tem o papel de reter esses resíduos, portanto, para que ele funcione adequadamente, é preciso que após o enchimento e esvaziamento da estrutura haja uma manutenção, retirando todos os resíduos de dentro do reservatório para que ele possa ter volume de espera de novo e receber novas águas pluviais”, explica. Além disso, a professora salientou a provável etapa em que se encontra o projeto de desvio do Rio Joana, para que seja efetivamente integrado ao sistema: “O desvio já foi concluído. Agora, quando você faz o desvio, tem que estudar também o impacto que vai ter o lançamento dessas águas na baía de Guanabara, até porque existem outros lançamentos concorrentes. Então eu acho que é isso que a prefeitura está agora efetivando para sanear essa questão”. De forma geral, o tom de Luciene é de otimismo. “Dado que tudo isso aconteça da maneira prevista, eu acredito que os reservatórios vão desempenhar o seu papel, eles foram calculados para isso. Eu tenho a confiança de que eles devem funcionar”.

 O verão se inicia dia 21 de dezembro de 2016, e tem seu término no dia 20 de março de 2017. A expectativa é que as obras já concluídas tenham um efeito positivo na retenção das águas das chuvas de verão, evitando os constantes alagamentos, comuns nesse período do ano.