O Rio de Janeiro ainda possui, segundo cálculo  da Secretaria de Meio Ambiente do município, uma média de 55,83 metros quadrados  por habitante de cobertura verde remanescente de Mata Atlântica, área que diminuiu mais de 26% desde 1984 quando era de 76,11 metros quadrados por habitante . Embora a cidade ainda disponha de um índice invejável de área de vegetação  por pessoa – sendo cinco vezes superior aos 12 metros quadrados por habitante,  mínimo sugerido pela Organização das Nações Unidas (ONU) – a vegetação carioca  não é igualmente distribuída na região urbana.  Um olhar sobre  cada região deixa um alerta sobre a desigualdade. Enquanto a Zona Oeste  apresenta uma média de  97,51 metros quadrados de área verde  por pessoa e a Zona Sul uma média de 43,27 metros quadrados,  a Zona Norte amarga o último lugar no ranking com apenas 3,44 metros quadrados   de área verde por pessoa.

A vegetação urbana diminuiu no sentido oposto ao  crescimento  do número  de casas e edifícios  nas áreas urbanizadas e  expansão de favelas na Zona Norte,  o que resultou em uma massa cinzenta e contínua de prédios, casas e asfalto, fruto de décadas de ocupação desordenada, à custa de muito desmatamento da Mata Atlântica nativa, sem preocupação em preservá-la .Em vista disso ,torna-se  preocupante a situação porque já são 63 bairros da Zona Norte que contam com menos de 1% de cobertura vegetal nativa de Mata Atlântica e  pouquíssima cobertura vegetal, dentre eles estão Vila Isabel, Del Castilho, Irajá, Méier e Madureira.

As principais áreas verdes da Zona Norte são compostas pela Quinta da Boa Vista, que vem sofrendo com o abandono do Estado,  Parque Ary Barroso, na Penha, considerada  uma área pouco segura que, apesar da UPP instalada recentemente, sofre com a criminalidade. Existe ainda uma  área de  mata entre o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro que também não recebe nenhum cuidado. Por outro lado,  o Alto da Boa Vista,  bairro que possui a maior cobertura vegetal da Zona Norte  com 2785 hectares de mata atlântica, contrastando com os demais, pois nele está localizada  a Floresta da Tijuca, a quarta maior área verde urbana do país e uma das principais da Zona Norte, sendo referência nacional e internacional por abrigar  centenas de espécies de plantas e animais.

Os moradores sofrem com o calor excessivo na Zona Norte. Luara moradora de Irajá, por exemplo, gostaria de fazer caminhadas de manhã  na rua, porém ela evita fazer nesse horário porque é muito quente. Já Eliane, moradora da Penha, trabalha na Barra  e diz que sente que lá possui um clima muito mais ameno do que o de onde mora.

Um caso interessante, é o dos moradores  de Olaria que tentaram impedir a construção de  uma  unidade  de UPP porque ela retiraria um parte arborizada do bairro, que já é escassa.

Segundo relatórios do  PNUMA, (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) as coberturas verdes, além de regularem o clima nas áreas urbanas ao reduzir a incidência de luz solar, diminuindo  a formação de ilhas de calor, amenizam a poluição, capturando  parte do monóxido de carbono emitido  principalmente pelas indústrias e automóveis. E ainda, está comprovado,  essas áreas  também são responsáveis pela redução da incidência de chuvas ácidas,  da erosão do solo e do efeito estufa. Não há dúvidas que esses espaços verdes contribuem para a saúde dos moradores e para o bem-estar geral.

As áreas verdes são  integrantes da estrutura urbana e a sua  preservação está relacionada com seu uso e a importância  que  cidade dá a elas , dessa forma, elas são reflexos das ações humanas e estão vinculadas ao processo histórico e também ao poder público no que diz respeito à implantação e manutenção desses espaços. Com isso,  a população e a importância que esta dá às áreas verdes  estão inteiramente relacionadas ao  que acontece com elas . Um exemplo disso foi a mobilização  que ocorre em alguns bairros da cidade quando o assunto é a preservação ambiental. Como explica a Luciene Pimentel, professora da UERJ, em seu bairro, Jardim Botânico,  quando uma árvore cai  ou querem arrancá-la , os moradores costumam   protestar  para que outra seja plantada ou que seja poupada. Enquanto na Zona Norte isto é um pouco mais difícil,   pois, apesar de muitos moradores se incomodarem  com a falta  de áreas verdes,  poucos se propõem  fazer algo a respeito.

Contudo, o processo de preservação  e de ampliação das áreas verdes depende de uma série de fatores. Alguns deles são a  iniciativa do governo em combater desmatamentos e  a promoção de políticas de reflorestamento e de  educação ambiental. Historicamente, os bairros da  Zona Sul, por abrigarem as camadas sociais mais ricas, têm maior poder de pressão  sobre as autoridades quanto à questão ambiental.