Apesar de existirem leis que punem maus tratos e abandono, a população de animais domésticos vivendo nas ruas cresce a cada dia. Os que não se sensibilizam ao testemunhar a situação de um animal abandonado, deve, no entanto, considerar os riscos que isso representa para sua própria saúde. A proliferação de animais abandonados doentes é uma questão ambiental na medida em que aumenta a insalubridade do meio para humanos e outros animais.

De acordo com a Suipa (Sociedade União Internacional Protetora dos Animais), no ano de 2016, ocorreu um grave aumento no número de animais abandonados. Para a  organização a causa principal é a crise econômica pela qual o país está passando, que culmina na falta de recursos dos donos para cuidar dos animais. Como resultado, os abrigos de animais das cidades brasileiras acabam superlotados e passando por dificuldades, uma vez que não recebem apoio financeiro suficiente do poder público para arcar com as despesas.

O aumento do número de animais abandonados acarretou um surto de doenças que também acometem seres humanos nas regiões sul e sudeste, sendo a esporotricose o destaque entre elas. A esporotricose é uma doença causada pelo fungo Sporothrix schenckii e é, na maioria dos casos, transmitida pelo gato. A doença apresenta quadros de lesões ulceradas na pele, podendo evoluir para feridas profundas que não cicatrizam nos felinos. A forma de transmissão mais comum dessa enfermidade para o ser humano é o contato de alguma ferida do animal com a pele ou mordida ou arranhão de um gato contaminado.

Embora o abandono tenha sido regulamentado como crime ambiental pelo Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98, ainda existe pouca fiscalização e não se tem obtido bons resultados. Instituições como a SEPDA (Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais), atuante no estado do Rio de Janeiro, promovem projetos relacionados à saúde do animal, como, por exemplo, o “Programa Bicho Rio”, que oferece esterilização e atendimento clínico gratuitos para cães e gatos. Para fazer uso do serviço, basta um agendamento prévio, que pode ser feito através dos telefones 2976-2416 e 3108-1007, de segunda à sexta, de 8:00h às 17:00h.

 

Além da esterilização e atendimento acessíveis, uma outra medida para diminuir o problema é a promoção da adoção. Há feiras de adoção realizadas por ONGs em todo o Rio de Janeiro cujo objetivo é fazer com que animais desabrigados possam ter cuidados e um novo lar. É comum, nas feiras de adoção, que as ONGs providenciem vacinas, consultas e castração dos animais disponíveis, facilitando a decisão do adotante que, às vezes, não possui condições financeiras para arcar com as despesas desses procedimentos. Para adotar um animal, na maioria das campanhas, é necessário ser maior de 18 anos e apresentar identidade e comprovante de residência. O interessado também preeenche  um questionário básico a fim de garantir a conscientização do adotante, e assina um termo de guarda responsável.

O abandono de animais domésticos é uma agressão ao meio ambiente. A sobrevivência de um animal que depende de cuidados humanos na rua torna-se muito difícil, tendo que buscar alimentos em caçambas de lixo e se expor a  agressões e atropelamentos. A péssima qualidade de vida do animal de rua ocasiona o aumento de doenças como esporotricose, leptospirose, raiva, etc., se agravando ainda mais com a proliferação acelerada, uma vez que não é feita a esterilização.