O Caronâe UFRJ, um projeto de carona solidária criado em 2014 que faz uso de um aplicativo de celular, vem beneficiando alunos, professores e servidores que frequentam a Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão. O aplicativo usa a base de dados da universidade para garantir que seus usuários tenham mais segurança em suas viagens, permitindo que apenas aqueles que tenham o CPF cadastrado na instituição peguem carona. “Existem diversos aplicativos para caronas, o nosso diferencial foi a conexão com a Intranet UFRJ, garantindo segurança ao sistema”, afirma Michel Balassiano, um dos criadores do aplicativo.

Para utilizar o aplicativo, o usuário cadastra seu CPF e gera uma chave de acesso, o que permite obter informações sobre as diferentes ofertas de carona no momento, podendo filtrá-las por origem, destino, horário e data. O usuário que decide oferecer a carona disponibiliza o local de partida, a rota planejada, os pontos de referências e as vagas disponíveis. Nas opções do aplicativo, existe a possibilidade de o motorista tornar a carona uma rotina, deixando claro que fará aquele percurso sempre nos mesmos determinados dias.

O conceito de carona solidária vem se popularizando no Brasil, associado principalmente a aplicativos para celulares. A ideia se baseia em um princípio de colaboração, conectando pessoas com destinos em comum e sem necessidade de cobrança pela viagem. “Eu prefiro pegar carona porque eu morro de medo de ser assaltada no 485, e o trajeto é muito demorado”, conta a estudante do 3º período de Arquitetura e Urbanismo, Maria Eduarda Feijó. Cerca de 7 mil pessoas pegam carona para o Fundão, seja por meio do aplicativo ou dos diversos grupos no Facebook e no WhatsApp. No momento, não existe previsão de expandir o Caronâe UFRJ para os outros campi da universidade.

Existem diversos projetos para reduzir o número de veículos nas ruas. Em São Paulo, o sistema de rodízio de carros, organizado pelo número das  placas, foca principalmente na diminuição da quantidade de automóveis para deixar o trânsito mais fluido. “O Rio de Janeiro tem um fluxo menor de carros do que São Paulo. Um programa para a diminuição dos veículos na rua já atuaria como medida de precaução para uma possível saturação do trânsito, além de diminuir relativamente a emissão de CO2 diária”, afirma o engenheiro ambiental Patrick Moraes.

Um programa governamental para redução dos poluentes no trânsito acaba se tornando necessário, já que grande parte dos males decorrentes da emissão diária de CO2 é negligenciada pela maioria da população. “As pessoas não desejam abdicar de seu conforto de transporte para o trabalho e depender de terceiros para voltar pra casa no final do dia. É uma questão cultural, que deve ser mudada e inserida no cotidiano da sociedade”, afirma Patrick.

Os benefícios da carona solidária para o meio ambiente e para o fluxo de carros na cidade são grandes, deixando os deslocamentos cotidianos  menos estressantes e contribuindo para uma maior socialização entre as pessoas.