Bruno Landgraf é um velejador paralímpico. Mas nem sempre foi assim: Bruno já atuou como goleiro do São Paulo e era visto como potencial substituto de Rogério Ceni. Já foi convocado para a Seleção Brasileira nas categorias de base, sendo inclusive campeão da Copa do Mundo de Futebol Sub-17 em 2003. Em entrevista ao AJEsportes, o atleta fala sobre sua relação com o novo esporte, as Paralimpíadas Rio 2016 e mais.

 

A mudança de modalidade ocorreu por conta de um acidente automobilístico que sofreu em 2006, ocasionando lesão na terceira e na quarta vértebras cervicais. Após ficar oito meses internado, Bruno trocou os gramados pelo mar. Natural de São Paulo, atualmente vive em Niterói, lar de diversos praticantes da vela. Treina cinco vezes por semana no Centro de Alto Rendimento da Conferederação Brasileira de Vela Adaptada com o apoio do São Paulo Futebol Clube.

 

Em relação a sua experiência com o futebol, o esportista faz uma avaliação positiva e cita os benefícios que este esporte, que praticava desde criança, lhe trouxe: “O futebol me deu muita disciplina, muita responsabilidade e organização”. O contato com vela ocorreu como forma de reabilitação -  o atleta fazia fisioterapia em uma universidade, na qual recebeu uma oferta de vaga para velejador cadeirante do Projeto Paradesportivo Superação. “Conheci e gostei”, conta.

 

O que hoje é sua profissão, no começo era uma das etapas de sua recuperação. “Fiz duas cirurgias na cervical, (...) tendo que usar aparelhos para respirar e sonda para me alimentar.  Fiquei três  meses sem falar e tinha pouco movimento”, diz o atleta. Landgraf, anos após o acidente, ingressou na nova modalidade e em 2012 participou dos Jogos de Londres. O amargo último lugar tem justificativa: ele e sua dupla não possuíam o barco. Hoje, no entanto, treina com o Skud 18.

 

Quanto ao Rio 2016, ele espera que ocorra um grande processo de limpeza da Baía de Guanabara, “ela tem que ser limpa por questão de saúde e [para] que não atrapalhe ninguém nos jogos”. Apesar da dificuldade em conseguir patrocínios por conta da pouca divulgação, ele se mostra esperançoso: “com os jogos aqui no Rio, acho e espero que isso mude”.