Eles podem não voar, nem ter varinhas mágicas, mas são praticantes de um esporte que só seria possível em um mundo cheio de magia: o quadribol. Originado do mundo de Harry Potter, o esporte, que conta com vassouras voadoras e bolas enfeitiçadas, é o mais praticado na ficção criada pela britânica J.K. Rowling. Embora pareça impossível, a prática acontece mundialmente, é bem organizada e ganha seus adeptos.

Na vida real, o quadribol teve de sofrer óbvias adaptações. Começou-se a prática em 2005, por estudantes da universidade de Middlebury, nos Estados Unidos. Com campeonatos entre as universidades, consegui-se a visibilidade necessária, expandindo-se, primeiramente, para o Canadá e criando a IQA (Associação Internacional de Quadribol). Hoje, a associação conta com aproximadamente 20 confederações nacionais espalhadas pelo mundo, inclusive a brasileira.

O Brasil começou a prática do esporte, de forma mais consistente, em 2010, com a criação do Rio Ravens, equipe da capital carioca, a primeira, no Brasil, associada à IQA. “O nome de um time deve ter o nome da cidade e o nome de um animal com a mesma inicial de onde reside a equipe”, conta o Capitão do Rio Ravens e membro da ABRQ (Associação Brasileira de Quadribol), Diogo de Vasconcellos. A ABRQ foi idealizada e criada no fim do ano passado, em um processo de conversa entre equipes do Brasil, e, em Fevereiro deste ano, tornou-se pública.

“Conheci o esporte por um amigo que praticava aqui com eles, e desde Fevereiro venho sempre aos treinos”, diz o estudante Ângelo Rocha, goleiro do Rio Ravens, que tem seus treinos realizados periodicamente na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Contando com cerca de 10 times, de estados como São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal, a associação brasileira ainda é considerada “emergente” pela internacional, mas já mostra seu potencial frente ao cenário do esporte no mundo. Prova disso é o projeto de organizar um campeonato nacional no início do ano que vem e sediar a terceira edição do Global Games, a copa do mundo entre seleções nacionais, que acontece bienalmente, em 2016, durante os Jogos Olímpicos. “Já entrei em contado com a IQA e eles têm interesse em organizar o Global Games aqui no Rio ano que vem”, diz Diogo, animado com a possibilidade.

Apesar da animação, Diogo lamenta as dificuldades quando o assunto é patrocínio: “infelizmente para organizar um campeonato nacional ou participar de disputas fora do país a questão financeira pesa. Até agora o que temos foi tirado do nosso bolso. Vamos buscar interessados, mas não é fácil.”

No cenário internacional, os campeonatos nos Estados Unidos acontecem desde a criação do esporte, com apoio das universidades e iniciativas de caráter coletivo (crowdfunding). O último Global Games aconteceu na cidade de Barnaby, no Canadá, contando com sete nações – Austrália, Bélgica, Canadá, França, México, Reino Unido e Estados Unidos. Canadá que conseguiu organizar seu primeiro campeonato nacional no último mês de Março, após o sucesso dos Global Games. No próximo mês, durante os dias 24, 25, 26 e 27 de Julho, ocorrerá o campeonato europeu, na cidade de Sarteano, na Itália.

O jogo

Os jogadores precisam se movimentar com uma vassoura entre as pernas. Cada time tem sete jogadores – um goleiro, 2 batedores, 3 artilheiros e um apanhador. Para marca pontos, existem três aros que cada goleiro tem a missão de proteger. As bolas são duas: a Goles (uma) e o Balaço (três). Os artilheiros usam a Goles para marcar os pontos arremessando-a entre os aros, valendo 10 pontos cada. Os Balaços são de responsabilidade dos batedores, que “queimam” os jogadores adversários, e estes devem retornar até seu próprio aro e voltar para a partida. O trabalho do apanhador é ir à busca do pomo, que é uma pessoa que carrega uma bola de tênis amarrada atrás de si dentro de um pequeno saco. Caso a bola que o pomo carrega seja apanhada, a equipe que conseguiu o feito recebe trinta pontos e o jogo acaba – e só termina quando o pomo é pego.