Em menos de 500 dias, as Olimpíadas desembarcarão na cidade maravilhosa trazendo várias modalidades esportivas, porém muitas delas são quase desconhecidas para a população. Dentre estas está o Rugby, que retornará aos jogos olímpicos após 92 anos de ausência. As partidas serão disputadas no Complexo Esportivo de Deodoro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e o Brasil será representado tanto pela seleção masculina, quanto pela feminina.

A prática do Rugby no Brasil remonta ao século XIX, quando ingleses trouxeram o esporte – que tem certa ligação com futebol por ser, na Inglaterra, à época, uma variação do desporto com a bola redonda. Porém, só em 1963, o esporte ganhou um viés de profissionalização e seriedade com a criação da União de Rugby do Brasil. Hoje existe a Confederação Brasileira de Rubgy (CBRu), que organiza os campeonatos nacionais e gere as seleções, tanto da modalidade XV, quanto a Seven a Side ( Sevens ou, no português, “de sete”), sendo que esta última será a disputada nos próximos Jogos Olímpicos.

Menos difundida, a modalidade Sevens requer sete jogadores de cada lado e exige menos tempo de disputa – dois tempos de sete minutos cada, contra dois de quarenta no rugby XV. “A escolha pela modalidade de seven a side (para as Olimpíadas) é justamente porque é possível fazer uma competição internacional em apenas três dias, pois no seven a side cada equipe pode jogar até três partidas por dia num intervalo de duas a três horas entra cada jogo, o que é proibido por regra na modalidade de XV”, explica o Auxiliar Técnico da seleção adulta de Rugby, Daniel Gregg.

O cenário do Rugby no Brasil melhorou e o esporte vem ganhando seu espaço nos últimos anos. Além de campeonatos organizados pela CBRu, como o Super Sevens, o Brasil já sedia jogos do Sul-Americano de Rugby XV e do circuito mundial de Sevens, e outras competições nacionais e internacionais, bem como consegue enviar as seleções para disputa de torneios em todo o mundo. Somado a isso, o interesse de emissoras televisivas em transmitir os jogos de grandes campeonatos como o Six Nations e a Copa do Mundo – que por sinal terá todos os jogos transmitidos na próxima edição em Setembro, na Inglaterra - angaria mais fãs em todo o país.

Mesmo com toda a estruturação, Daniel lamenta: “Ainda falta muito para (o esporte) crescer, pois o Brasil é um país de mais de 200 milhões de habitantes e menos de 1% da população conhece o esporte”.

A preparação das seleções nacionais é centralizada em São José dos Campos, interior de São Paulo e conta com uma intensa rotina de treinamento desde ano passado. Os atletas brasileiros, juntamente à confederação e colaboradores, pensam não só em vitórias, mas, sim, em títulos. “Muitos estão investindo tempo e dinheiro no rugby brasileiro, mas o mais importante é mantermos isso mesmo após as Olimpíadas. E, para patrocinadores, isso depende de resultados. Resultados que com certeza os jogadores brasileiros irão buscar nos jogos Olímpicos”, salienta Daniel Gregg, que também é jogador e treinador pelo Niterói Rugby.

Foto: Fotojump/CBRu