Com boas equipes, o Rio de Janeiro sempre foi referência no vôlei, o que fez o esporte ter grande popularidade no estado. Apesar disso, a temporada de 2014/2015 da Superliga Masculina não tem a participação de nenhuma equipe carioca. Com isso, o esporte perde popularidade na cidade que vai sediar as Olimpíadas em menos de dois anos.

Radamés Lattari, gerente de competições de quadra da CBV(Confederação Brasileira de Voleibol), disse que a falta de uma equipe adulta como referência é prejudicial não só para o Rio de Janeiro, mas para todo o Brasil, principalmente para os novos atletas, que não têm referências: “Traz um prejuízo técnico para o desenvolvimento dos mais jovens, porque todo mundo pra crescer precisa ter um espelho de ídolos, precisa estar assistindo, convivendo com esses grandes astros do voleibol e é isso que falta no momento aqui no Rio de Janeiro”.

A última vez que o Rio esteve sem uma equipe na Superliga Masculina havia sido na temporada 2008/2009. Em 2009/2010, o Voltaço Vôlei entrou para sua primeira participação na competição, sua melhor campanha foi em 2012/2013, quando se classificou para os playoffs. A equipe chegou a se inscrever para a temporada 2014/2015, mas, pouco antes do início da competição, fechou as portas, alegando falta de dinheiro para manter a comissão técnica e os jogadores. O time acabou substituído pelo Voleisul/Paquetá Esportes, do Rio Grande do Sul.

Em 2011/2012, o RJX chegou como um grande investimento do empresário Eike Batista, que montou uma equipe digna de seleção, com nomes como Bruninho, Lucão, Leandro Vissotto, Mário Jr., entre outros. Foi o campeão na temporada de 2012/2013, entretanto, no final de 2013, o RJX não resistiu à crise do empresário, que retirou os investimentos. A equipe mudou de nome (RJ Vôlei), os salários começaram a atrasar e os jogadores foram saindo. Na última temporada, o time ainda conseguiu o sétimo lugar na classificação, mas foi eliminado nos playoffs. Então, o RJ Vôlei encerrou suas atividades.

As duas equipes deixaram a competição pelo mesmo motivo, Radamés explica que as equipes precisam de verba e sem ela é praticamente impossível se manter na competição: “Essa verba pode vir através de patrocinadores, através de prefeitura, mas sem suporte financeiro é muito difícil que você tenha uma equipe competitiva para disputar a Superliga”. A CBV oferece suporte, colocando-se à disposição das equipes, mas não contribui financeiramente: “A CBV ajuda colocando seu departamento de marketing à disposição das equipes, quando elas vêm aqui procurar. No sentido de levar todas as informações que nós temos para que elas possam apresentar às empresas de marketing, aos patrocinadores. Se existe necessidade, nós temos pessoas nossas que vão lá conversar com esses patrocinadores, demonstrar os retornos que podem trazer à imagem, se você tiver uma equipe participando da nossa competição“.

As escolinhas têm grande importância na formação esportiva de crianças e adolescentes, pois promovem a iniciação ao esporte. “As escolinhas de vôlei são praticamente a garantia do futuro do esporte, através de projetos de iniciação esportiva, através da iniciação nas escolas, das escolinhas, de colégios, de trabalhos de prefeituras e de projetos, como o nosso próprio Viva Vôlei, é que você vai garantindo o futuro do voleibol“, disse Radamés.

Apesar da importância, as escolinhas não conseguem manter o nível para seguir em competições de grande porte, como a Superliga, principalmente por falta de verbas: “Cada vez que você vai subindo um degrau, o nível de investimento vai aumentando. O custo das escolinhas é bem inferior que o custo de uma Superliga, porque os atletas vão se dedicar exclusivamente, aí já se torna praticamente uma profissão”. Isso justifica a falta de times cariocas na Superliga Masculina, mesmo com grande número de escolinhas no Rio de Janeiro.

Ao contrário do que acontece na competição masculina, a Superliga Feminina apresenta um cenário bem positivo para a equipe carioca, a Rexona-Ades possui nove títulos e já disputou 10 finais consecutivas, sendo a que mais vezes venceu. Para Radamés, essa diferença entre os campeonatos masculino e feminino é coisa momentânea de mercado. “Há momentos em que o mercado aqui no rio favoreceu a equipes masculinas. São ciclos que vão mudando de acordo com os patrocinadores”.

Como entidade máxima do voleibol no país, a CBV procura ajudar todas as equipes e federações estaduais, mas isso não garante que o Rio de Janeiro voltará a ter uma equipe masculina de vôlei na próxima temporada da Superliga: “Qualquer federação que necessite da ajuda da CBV e qualquer clube que participe da superliga, ou que queira participar de Superliga A ou Superliga B, nós colocamos toda nossa estrutura à disposição dos clubes e das federações estaduais“.