Editoras brasileiras têm renovado a maneira de “fazer livros”. Os e-books tem roubado a cena do mercado consumidor e transformado a dinâmica dos leitores. Os livros digitais têm valorizado as imagens e os formatos mais ousados de textos. O grande investimento pretende obter maior público e diminuir os custos de produção.

Muitas editoras tiveram que se adaptar ao avanço dos recursos tecnológicos, mudando o foco de suas produções, sem abandonar o velho livro tradicional.  Os livros digitais têm se tornado a nova preferência dos leitores jovens, pois o mundo virtual e a praticidade da vida contemporânea levaram as pessoas a buscarem tablets e e-reader para não deixar uma boa leitura de lado.

Diante disso, as editoras têm usado esse artifício para obter lucros, visto que os custos de uma publicação digital é menor em relação ao livro impresso. A medida implica em uma alteração em todo o processo, desde a sua criação até a finalização do projeto. Por isso, em busca de um equilíbrio entre alcance de público e lucro, as editoras duplicaram suas publicações impressas das obras adaptadas para cinema. As capas dos livros receberam as fotos dos atores que interpretaram as personagens nas telinhas, como nas obras “A menina que roubava livros”, “Cinquenta tons de cinza” e “Crepúsculo” que ganharam novas adaptações do original e alavancaram os índices de vendas.

Com adaptação das diversas formas de linguagem, digitalizadas e impressas, os índices de vendas têm crescido desde 2010. Elas tiveram um aumento de 5,5 milhões de exemplares nas publicações de “Código da Vinci” e “Eclípse”.  As editoras  anunciaram o lançamento de seus primeiros títulos na versão digital em dezembro de 2011, representando 20% do catálogo. A conversão digital do restante do catálogo estava programada para o decorrer do ano seguinte, assim como a realização de lançamentos simultâneos nas versões impressa e digital. Entre os primeiros títulos a ganharem versões digitais, os volumes das séries “Crepúsculo” e “Percy Jackson e os olimpianos”, além de “Hell” e “A menina que roubava livros”

Os e-books, nos formatos e-Pub, foram colocados à venda nas livrarias Cultura, Saraiva e Gato Sabido, com cerca de 30% de desconto em relação ao preço de capa dos exemplares impressos. A estimativa inicial era de que o negócio digital representaria 10% do faturamento da editora no prazo de um ano. Ao final de 2012, um ano após o início da produção, a Intrínseca divulgava os primeiros números de produção e venda no digital. Já havia digitalizado 213 títulos, que representavam 49% do catálogo da editora, com 28 mil e-books comercializados.

A discussão desta matéria e os dados desta pesquisa podem ser encontrados na dissertação de Carmen Prata, defendida no programa de pós-graduação em Comunicação da UERJ (PPGCOM 2016). “O livro digital: um estudo de caso comparativo entre digital e impresso” teve como base a comparação entre o  livro impresso e o digital diante das transformações das novas tecnologias. O papel das editoras nessas mudanças apareceu como tema central, abordando os processos entre a criação e a comercialização de um livro. A pesquisa mostrou a preocupação das editoras entre atender às demandas do público e manter os lucros em crescimento. A dissertação pode ser encontrada no site do PPCCOM da UERJ.

O objeto de estudo da dissertação é o livro digital. A autora partiu do seguinte questionamento que norteou a pesquisa: qual o lugar do livro diante das mídias digitais? Durante o desenvolvimento do trabalho, Carmen Prata considerou as especificidades de cada suporte e as formas de organização do texto em cada época.