“Rio para gringos: a construção de sentidos sobre o carioca e a cidade para consumo turístico”, por Ana Teresa Gotardo, foi uma das 13 dissertações de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em 2016. A dissertação discute a idealização de uma imagem do Rio de Janeiro e aborda a construção de um estereótipo próprio para consumo turístico. 

A televisão teve um papel fundamental na construção do estereótipo ao propagar a imagem de uma cidade própria para consumo. Documentários e seriados foram exibidos no mundo afora e ajudaram a produzir sentidos sobre o Rio de Janeiro enquanto uma “cidade mercadoria” que modificou sua imagem para construir um cartão de visitas do Brasil.

A pesquisa faz uma viagem no tempo e  aborda também  o processo de “higienização social” na construção da imagem do “Rio ideal” para os turistas desde a época do prefeito Pereira Passos. Para sediar eventos de grande porte, a cidade do Rio passou por transformações contundentes a fim de se tornar agradável aos olhos turísticos no início do século XX. Obras foram feitas em detrimento da exclusão social das camadas mais pobres que tiveram seus lares removidos em prol da construção de uma cidade que se tornaria uma mercadoria a ser consumida.

Em 2016, o Rio, sede das Olimpíadas, também teve de se adequar  e reforçar a imagem “feliz e receptiva” para receber uma multidão estrangeira. O Rio das “mais belas praias, dos corpos esculturais femininos seminus, do Pão de Açúcar, do Cristo Redentor, do samba, da caipirinha, do povo receptivo” foi o estereótipo reforçado pela mídia internacional para tornar a cidade atrativa para o consumo. Em paralelo, traça-se uma linha mostrando o outro lado, a favela da Rocinha, como se não pertencesse ao Rio. O documentário, 1000 places to see you die, exibido internacionalmente pela rede TLC e produzido nos EUA, buscou mostrar aos turistas que qualquer um pode ter a experiência da viagem perfeita. Em um dos episódios, a Unidade de Polícia Pacificador (UPP) aparece como uma espécie de “salvação” contra a criminalidade, possibilitando a inclusão da favela como destino turístico. Segundo o documentário, a periferia da cidade pôde, então, fazer parte do mercado turístico, oferecendo aos visitantes uma experiência da “pobreza domesticada”.

“Rio para gringos: a construção de sentidos sobre o carioca e a cidade para consumo turístico” foi orientada pelo professor Ricardo freitas. A dissertação está disponível para leitura no site do PPGCOM/UERJ.