Em 2015, a cidade do Rio de Janeiro foi objeto de diferentes pesquisas da Pós-Graduação em Comunicação da UERJ. Quatro das quatorze dissertações do ano tiveram o município ou algum de seus bairros como tema principal, buscando entender a formação da cidade a partir de sua história cultural e de suas representações na mídia tradicional e nas redes sociais.

            As pesquisas “O pânico moral no Rio de Janeiro: análise da cobertura de eventos de violência de novembro de 2010”, de Pedro Henrique de Azevedo Cesário Silva; “Memória e cidade sensível: Fortaleza e Rio em comentários do Facebook”, de Thiago Mendes de Oliveira; “Cotidiano, comunicação  imaginário no bairro de Marechal Hermes”, de Zilméa Ferreira Ribas; e “Comunicação e cultura: a Feira das Yabás”, de Adelaide Cristina Rocha de la Torre Chao, unem-se no objetivo de caracterizar a cidade do Rio pela sua materialidade e seus imaginários, construídos por moradores e pela mídia. As duas primeiras pesquisas focam o olhar nas representações da cidade como um todo.

           A primeira, de Pedro Henrique Silva, analisa como os jornais O Globo, Extra, O Dia e Meia-Hora noticiaram o crime organizado em 2010. Utilizando o conceito de “Pânico moral”, o autor amplia o campo de percepção e significação de como o público, o Estado, a imprensa e facções criminosas compartilharam momentos de extrema tensão e militarização da violência urbana carioca. Segundo ele, a forma como o noticiário é construído demonstra uma imparcialidade que contribui para o crescimento de sentimentos como medo, insegurança, otimismo ou vingança na população do Rio.

            Já a dissertação de Thiago de Oliveira deixa a mídia tradicional de lado e mergulha nas redes sociais. Em duas páginas no Facebook, o autor compara de que forma os imaginários de Fortaleza e do Rio de Janeiro são formados. A partir de textos psotados de forma pública nas páginas “Fortaleza Nobre” e “O Rio de Janeiro que não vivi”, o trabalho busca entender as espacialidades, temporalidades e sensorialidades da cidade habitada e da cidade perpassada pelo imaginário. Ele aponta ainda para um “devaneio” na web que expressa o contato com a cidade sensível.

            As outras duas dissertações focam em bairros específicos da cidade do Rio: Marechal Hermes e Madureira. Em “Cotidiano, comunicação e imaginário no bairro carioca de Marechal Hermes”, Zilméa Ribas investiga relações da comunicação com o espaço urbano, a partir do bairro centenário localizado na Zona Norte. Com uma abordagem histórico cultural, a autora observa a localidade em três dimensões: materialidade, sociabilidade e sensibilidade. Ao utilizar a perspectiva dos moradores e as imagens construídas pelo cinema e pela TV, a pesquisa aponta para um imaginário partilhado que legitima o valor do bairro e distingue sua materialidade de seu espírito.

            Por último, Adelaide Chao procura fazer uma reflexão sobre o subúrbio carioca, que geralmente está à margem tanto das pesquisas, quanto das representações midiáticas e passa despercebido pelo público que não reside lá. Para isso, adentra o universo das Feiras das Yabás, evento de música e gastronomia negra carioca, que ocorre em Madureira. Assim, ela pretende “investigar as representações da comida a partir das tradições, usos e ‘modos de fazer’ que permeiam a cultura carioca”. Segundo ela, a rua como território de festa contribui para a memória e renovação das manifestações da cultura popular brasileira.

            Ainda em 2015, outros municípios do Rio também ganharam voz, como na pesquisa de Gabriel Guimarães Santarém Chaves, em “No ritmo da rua: ativismo juvenil e rock underground na Baixada Fluminense”. O autor estudou o ativismo cultural de mulheres na Baixada, que atuavam contra a discriminação de gênero por meio da música. Os outros 10 trabalhos de mestrado envolveram objetos heterogêneos, entre eles a ética e estética emo, a brasilidade nos desfiles de moda de Alexandre Herchcovitch e o papel da imprensa popular.

            Em 2015, foi defendida a primeira tese de doutorando da Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UERJ. Francisco Ângelo Brinati, primeiro doutor a ser formado pelo Programa, teve como tema de pesquisa o futebol. Em “Maracanazo e Mineiratzen: Imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1950 e 2014”, Brinati analisa textos dos jornais O Globo e Folha de São Paulo na cobertura das Copas do Mundo de 1950 e 2014, buscando entender como foram construídas as representações da equipe brasileira e dos seus jogadores. Além disso, ele também buscou compreender quais amostras podem identificar a relação de aproximação ou afastamento com os torcedores.

            O PPGCOM UERJ foi recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em abril de 2002 e conta com duas linhas de pesquisa: “Cultura de massa, cidade e representações sociais” e “Tecnologias de Comunicação e Cultura”. Desde 2012 conta também com Doutorado e tem conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.