Com a expansão da Internet, a difusão de informação tem sido cada vez mais veloz e os conteúdos produzidos pelos usuários têm sido cada vez maiores. Diante de um cenário onde os internautas participam ativamente na produção de mídias – tanto de forma amadora quanto profissional – surgem os memes de Internet.  A dissertação “Eleições da zueira: memes, humor e política nas eleições presidenciais de 2014”, de Fernanda Alcântara Freire, busca analisar como os memes contribuíram nas eleições presidenciais de 2014, analisando especialmente o caso do candidato Eduardo Jorge. A pesquisa foi orientada pela professora Alessandra Aldé. 

Vivemos em uma sociedade onde, atualmente, praticamente tudo o que permeia nossa vida pode ser feito pela Internet. Relacionamentos começam nas redes sociais, compras são feitas online, encontros são marcados por sites. Isso também chegou ao cenário político. Cada vez mais, candidatos têm se apropriado das redes sociais como um meio de propaganda política. Nesse contexto, além das campanhas tradicionais ― que divulgam as propostas políticas ― as publicações mais informais, de conteúdo humorístico, também servem para divulgar os candidatos. Assim surgem os memes, que são mídias, como vídeos, gifs, links, textos, reproduzidos de forma viral na web. Fernanda Freire se concentrou nos memes de imagem na sua dissertação.

Freire entende que “mais do que apenas expressão da cultura web, os memes vêm se tornando um fenômeno expressivo da cultura popular, tendo implicações inclusive na política.” Para isso, ela busca analisar a utilização desses conteúdos como ferramentas de campanha. Os políticos se utilizam não somente das propagandas eleitorais na mídia tradicional, mas também dos conteúdos que circulam nas redes sociais. A grande imprensa acaba repercutindo as publicações virtuais.  “Veículos on-line e offline, como a Folha de São Paulo, o portal R7 e O Estado de S. Paulo, para citar alguns exemplos, repercutiram bastante as ― “piadas” eleitorais e o humor dos internautas”, exemplifica a autora na pesquisa.

Segundo Fernanda, muitos candidatos têm utilizado sites de redes sociais como forma de aproximação com os eleitores. Para ela, o humor facilita a comunicação entre eleitorado e candidato. Fernanda aponta duas características importantes que a internet pode trazer para a discussão política: “o potencial da web para reduzir assimetrias oriundas do poderio econômico de candidatos majoritários e a possibilidade de maior interação entre eleitores e candidatos”.

A autora defende em sua dissertação que os memes, especialmente os de humor, constituíram fonte de interação e prática de sociabilidade durante as eleições para a Presidência da República de 2014. Para Fernanda, os memes serviram como forma de favorecer a interação do cidadão comum com a política, dando a oportunidade dos indivíduos produzirem sentido acerca de candidatos e do mundo político em geral. Dessa forma, “os memes políticos podem ser usados como ferramentas de participação popular, aptos a tornar a política um campo mais acessível e menos complexo ao eleitorado”, esclarece a autora.  

Diante de um contexto onde tudo parece ser motivo de “zueira”, a dissertação pretendeu avaliar até que ponto os memes e o humor podem ser usados como estratégia eleitoral. Afinal, mesmo temas complexos podem ser colocados de maneira bem humorada. A autora destaca que não foram somente os candidatos ao pleito eleitoral que empregaram os conteúdos humorísticos, mas que diversos tipos de usuários se utilizaram desse recurso.

De acordo com a dissertação de Fernanda Freire, a Internet modificou a forma como o eleitorado interage com os candidatos. A web possibilitou uma aproximação de forma mais direta e dinâmica entre os cidadãos e os políticos. A autora identificou ainda que o conteúdo humorístico funciona como facilitador nessa interação de troca de informações e significações.