Não há como negar: os memes se propagaram e dominaram a rede digital, tornando-se parte essencial das experiências dos usuários. Mesmo que a pessoa nunca tenha criado um meme, é difícil que, durante a navegação por mídias sociais, jamais tenha se deparado com um. As reações variam de acordo com a mensagem passada e a bagagem cultural do indivíduo. Do riso à incompreensão, da novidade ao entretenimento, do “passar batido” ao compartilhamento, fato é que o impacto desses produtos contemporâneos acabou virando objeto de estudo de pesquisadores ao redor do mundo.

     Essa é a temática da dissertação “O potencial comunicativo dos memes: formas de letramento na rede digital”, apresentada por Pollyana Escalante, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGCom/UERJ) no ano de 2016, sob a orientação da Profª. Drª. Fátima Regis. O objetivo da autora, que declara seu gosto particular por memes, era investigar de que maneira eles interligam conteúdos de variadas áreas e exigem letramentos múltiplos dos usuários para total entendimento da mensagem transmitida. Os capítulos da dissertação passam por tópicos como o conceito de meme, a importância dos coletivos de fãs na cultura participativa e a intertextualidade. A autora realizou sua investigação junto ao grupo de Facebook Meme Studies, com o intuito de entender as percepções dos usuários integrantes do grupo sobre o assunto.

     Pollyana introduz os memes como imagens estáticas ou em movimento (GIF), textos e vídeos utilizados por internautas para se comunicar, lamentar e/ou criticar sentimentos e/ou fatos do cotidiano, por meio de metáforas. No Brasil, sites como Não Salvo, Kibe Loco e Não Intendo contribuíram para a propagação de tais produtos em várias plataformas, como vemos hoje no Facebook, no Twitter e no Whatsapp.

     Os memes podem ter origem em filmes, vídeos online, séries, desenhos, novelas, livros e músicas. Eles podem trazer alguma personalidade ou algum fato, seja do passado ou da atualidade; assim como carregar análises políticas ou a opinião de um grupo. Eles também podem vir em português ou em línguas estrangeiras, abordando assuntos de áreas como Matemática, Filosofia ou História. Existem múltiplas possibilidades de uso e foi com base nisso que a autora observou que os memes requerem do público um repertório de conhecimentos, para a compreensão plena da da decodificação da mensagem.

     Um dos exemplos de Pollyana, é um meme que mostra dois personagens do desenho animado japonês Dragon Ball Z, com uma frase escrita em espanhol, fazendo alusão ao sistema operacional Android de aparelhos móveis. Ou seja, para o entendimento da mensagem, a pessoa que se depara com tal imagem precisa interpretar todos esses temas – o letramento múltiplo abordado na dissertação.

     Embora a criação e o compartilhamento de qualquer tipo de conteúdo não seja um comportamento exclusivo da era da internet, o alcance de tal hábito atinge enormes proporções com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A cultura participativa cresce e os sujeitos estão, a todo momento, explorando, selecionando, produzindo e divulgando aquilo que lhes interessa. Em meio a uma quantidade tão abundante de informações, se algo repercute nas mídias sociais é porque há sempre quem se identifique e queira consumir a ideia transmitida. Assim se sustenta o universo dos canais no Youtube, das fanfics e, claro, dos memes.