Atualmente, a dengue é um dos principais problemas de saúde pública, não apenas no Brasil, mas em vários outros países do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são infectadas entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas anualmente em cerca de cem países. Somente no Brasil, foram cerca de 1,5 milhão de casos registrados em 2015, de acordo com o Ministério da Saúde. A alta incidência é devido ao clima tropical e às condições socioambientais favoráveis à expansão do mosquito Aedes aegypti, que possibilitaram a dispersão do vírus desde sua reintrodução no país, em 1976.

Em 1996, o Ministério da Saúde propôs o Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa) e, ao longo do processo de implantação desse programa, observou-se a inviabilidade técnica de erradicação do mosquito no curto e médio prazo. Assim, foram necessárias várias campanhas de mobilização social e investimento de combate à dengue nos três setores: federal, estadual e municipal.

Além da dengue, outras doenças são transmitidas pelo mosquito, como febre amarela, chikungunya e o zika vírus, o que torna o problema ainda mais grave. Por conta disso, campanhas de conscientização e tecnologias usadas a nosso favor são cada vez mais necessárias. O problema é analisado pela dissertação Recursos digitais para o ensino: análise de critérios de avaliação e projeto de um aplicativo sobre o Aedes aegypti, de Alice Garcia Gomes, da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que pesquisou acerca do ensino didático sobre ciências e como as crianças aprendem mais rápido através de aulas práticas com participação ativa, exemplos reais e com o auxílio da tecnologia. Com base nisso, projetou-se um aplicativo para smartphone/computador destinado a estudantes do ensino fundamental, que consiste em abordar o desenvolvimento do mosquito.

O aplicativo se dá através de um simulador digital, o qual permite que fatores ambientais atuem sobre um recipiente de água que contenha larvas do Aedes aegypti, agindo na fase aquática do ciclo de vida do mosquito, a melhor fase para controlar a sua proliferação. O processo é capaz de apresentar o desenvolvimento completo, desde o ovo até a fase adulta.

Dessa forma, o aplicativo dá aos usuários a oportunidade de visualizarem o desenvolvimento das larvas do mosquito por uma visão ampliada de um recipiente com água parada. Certas variáveis do ambiente poderão ser ajustadas, como: quantidade de água parada, presença do predador, presença de água sanitária e remoção do recipiente.

No entanto, o projeto do aplicativo ainda não teve continuidade, pois falta aprimoramento de algumas etapas, além da busca de parcerias. “Estou aberta a estabelecer parcerias e a receber sugestões sobre maneiras para tirar o projeto do papel“, conta Alice. Caso o projeto tenha conclusão, seria de grande relevância para auxiliar no aprendizado e alcançar objetivos importantes, como o de promover a experimentação e a personalização do ritmo de ensino, além de promover o maior interesse sobre ciências e o combate à dengue, já que a tecnologia assume um papel fundamental na vida dos estudantes.

Leia a tese na íntegra em: http://www.bdtd.uerj.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=10236